A Quaresma é um período de provação espiritual para os que seguem o cristianismo. Após o Carnaval, contam-se 40 dias no calendário cristão até a Páscoa. Segundo a Bíblia, durante esses dias, Jesus passou orando no deserto, preparando-se para sua crucificação já anunciada por Deus.

Os mais religiosos propõem a si mesmos diferentes tipos de provações a serem cumpridas durante a Quaresma. A mais comum é a promessa de não comer carne vermelha. Assim, os peixes — entre eles o bacalhau — tomam conta da mesa do brasileiro. Mas, você já sabe preparar o tradicional bacalhau de Páscoa?

Os vários tipos de bacalhau

Sim, existem diferentes variedades de bacalhau. O bacalhau imperial, bacalhau do porto, zarbo, saithe, entre outros. São espécies diferentes de peixes que apresentam características semelhantes na cozinha. Eles são encontrados, em sua maioria, no Atlântico Norte, na costa europeia e, por serem peixes migratórios, também são pescados no Mar Ártico, próximo ao Canadá.

A diferença entre essas espécies está na coloração e na textura da carne. Para os assados, como a bacalhoada de Páscoa, os mais indicados são o do porto e o imperial, porque apresentam texturas levemente mais consistentes se comparados às outras variedades.

O cuidado com o sal

Antes de existirem os sistemas de refrigeração, pescadores e comerciantes salgavam os peixes em pedras e os deixavam secar para aumentar a validade do alimento. Então, tradicionalmente, os bacalhaus são vendidos salgados e secos para que a carne não estrague com facilidade.

Sendo assim, dessalgar o peixe é uma das etapas mais importantes no preparo do bacalhau de Páscoa, portanto, o cozinheiro deve se antecipar!

As peças do peixe devem ser inteiramente submersas em um recipiente com água em temperatura ambiente no dia anterior. Para acelerar o processo, troque a água de 5 a 6 vezes em intervalos nessas 24 horas, até que o peixe esteja com a quantidade desejada de sal.

Depois disso, o bacalhau deve ser pré-cozido. Basta mergulhá-lo na água e aguardar a fervura. Escorra a água e retire as postas para a montagem final.

Tradição e variações

Alguns ingredientes são tradicionais na bacalhoada de Páscoa, a chamada ‘bacalhoada portuguesa”. A batata, por exemplo, ajuda a equilibrar o sal e o forte sabor natural do peixe. Cebola roxa dá um toque de acidez e os pimentões vermelhos e amarelos uma certa doçura ao prato. As azeitonas, a pimenta do reino e generosas quantidades de azeite dão o toque final à receita.

Tudo isso é montado em uma assadeira e vai ao forno até que a cebola fique levemente dourada. É importante ressaltar que as batatas também são pré-cozidas, por isso o tempo de forno raramente excede 30 minutos, dependendo do tamanho da porção.

Claro que essa base portuguesa já foi reinventada, abrasileirada e modernizada de diversas maneiras. Existem receitas que optam pela batata-doce e molho de laranja, por exemplo. Outras acrescentam ovos cozidos e são assadas na brasa. Há ainda quem acrescente leite de coco e ervas finas.

Enfim, são muitas as possibilidades abertas, basta usar o seu repertório enquanto cozinheiro da família!

Outras formas de servir o bacalhau o ano inteiro

Apesar do consumo do bacalhau se intensificar durante a Quaresma, o bacalhau cai bem o ano todo e, claro, pode ser explorado em inúmeras receitas. O também conhecido bolinho de bacalhau cai muito bem como aperitivo.

Existem ainda receitas incríveis de arroz e até mesmo nhoque e pizzas que levam esse peixe como ingrediente. Tortas e grelhados também podem agradar toda a família, que já está aguardando ansiosamente as delícias da Páscoa que vão além do chocolate!

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